Foi isso que fizeram com Bolsonaro durante o carnaval n…Ver mais

O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro ganhou projeção nacional antes mesmo de atravessar toda a avenida. Um dos carros alegóricos chamou a atenção do público ao apresentar a figura de um palhaço sentado atrás de grades, usando uma tornozeleira eletrônica danificada. A imagem, carregada de simbolismo, foi interpretada como uma referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora o nome do político não tenha sido citado oficialmente em nenhum momento pela escola de samba.
A alegoria rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, impulsionando debates sobre os limites da crítica política em manifestações culturais. Durante seu período no governo federal, Jair Bolsonaro foi apelidado por opositores com o nome do palhaço Bozo, associação que reapareceu no imaginário popular a partir da apresentação da escola. No entanto, a Acadêmicos de Niterói optou por trabalhar com alusões e metáforas, sem mencionar diretamente o ex-presidente em seu enredo ou na descrição oficial do carro.
A composição visual do carro trouxe o personagem caracterizado como um palhaço em situação de confinamento, reforçando a ideia de responsabilização institucional. A tornozeleira eletrônica, mesmo representada de forma cenográfica, ampliou a leitura simbólica da alegoria. O recurso artístico foi utilizado como parte de uma narrativa maior que abordava temas ligados à democracia, resistência e aos desafios enfrentados pelo país nos últimos anos.
Na sinopse divulgada pela escola, um trecho chamou atenção ao afirmar que o Brasil “resistiu também a uma tentativa de golpe de Estado, que levou seus mentores para a prisão”. A frase, ainda que genérica, foi suficiente para alimentar interpretações e ampliar a repercussão do desfile. Especialistas em direito eleitoral e liberdade de expressão destacam que o Carnaval historicamente funciona como espaço de crítica social, política e cultural, utilizando metáforas para provocar reflexão sem necessariamente citar nomes.
A escolha da Acadêmicos de Niterói reforça uma tradição das escolas de samba de transformar acontecimentos recentes em arte. Ao longo das décadas, o Carnaval carioca já abordou temas como desigualdade, corrupção, movimentos sociais e momentos marcantes da história brasileira. O uso de personagens simbólicos permite que o público faça conexões próprias, ampliando o alcance da mensagem e estimulando o debate público.
Por outro lado, o episódio também reacendeu discussões sobre polarização política e o impacto dessas representações no ambiente social. Aliados do ex-presidente criticaram a alegoria, enquanto defensores da liberdade artística ressaltaram que a Constituição garante ampla manifestação cultural. A ausência do nome de Jair Bolsonaro no enredo oficial foi vista por alguns analistas como uma estratégia para evitar questionamentos jurídicos, mantendo o foco no campo simbólico.
Independentemente das interpretações, o fato é que o carro alegórico cumpriu um dos principais papéis do Carnaval: provocar conversa, engajar o público e manter viva a tradição de usar a arte como instrumento de expressão. A Acadêmicos de Niterói conseguiu transformar um elemento cenográfico em um dos momentos mais comentados da festa, mostrando que, além do brilho e da música, a avenida também é palco de narrativas que dialogam diretamente com o cenário político e social do país.





