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Após longos anos, nesta noite o presidente Lula acaba de ser…Ver mais

A divulgação da mais recente pesquisa CNT/Sensus trouxe um novo elemento ao cenário político nacional e chamou a atenção de analistas, parlamentares e eleitores. Os números revelam a menor taxa de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde o início de seu mandato, um dado considerado sensível para qualquer governo e ainda mais relevante quando há discussões sobre projetos eleitorais futuros. O levantamento reacende debates sobre confiança, avaliação de gestão e os fatores que influenciam a opinião pública em momentos de grande exposição política.

Realizada entre os dias 14 e 17 de setembro, a pesquisa ouviu duas mil pessoas em 195 municípios de todas as regiões do país. O resultado aponta que a aprovação pessoal do presidente caiu para 46,7%, ficando abaixo da marca simbólica de 50%. Em contraste, mais de 44% dos entrevistados declararam desaprovar o desempenho de Lula. Especialistas destacam que a metodologia ampla da pesquisa reforça a relevância dos dados e indica um retrato fiel do sentimento de parte expressiva da população brasileira.

A comparação histórica ajuda a dimensionar a queda. Em janeiro de 2003, logo após assumir o Palácio do Planalto, Lula registrava mais de 83% de aprovação, um índice que refletia expectativas elevadas e forte capital político. Passados alguns anos, o cenário é outro. O desgaste natural do tempo, aliado a crises políticas e a um ambiente de polarização, contribuiu para a mudança de percepção. Para analistas, a redução não ocorre de forma isolada, mas acompanha uma sequência de fatos que impactaram a imagem do governo.

Além da avaliação pessoal do presidente, a aprovação do governo como um todo também apresentou recuo significativo. Em relação à pesquisa realizada em julho, houve uma queda de 9,2 pontos percentuais, fazendo com que o índice positivo chegasse a 31%. A avaliação negativa, somando as respostas “ruim” e “péssimo”, alcançou 29%, enquanto 37,6% consideram a administração regular. Os números mostram um eleitorado dividido, com uma parcela expressiva demonstrando cautela ao avaliar a condução do país.

Outro ponto que chama atenção no levantamento é a percepção da população sobre denúncias de corrupção envolvendo o governo. Quase 43% dos entrevistados acreditam que o presidente teve algum tipo de participação, enquanto 41% discordam dessa avaliação, evidenciando um equilíbrio nas opiniões. A pesquisa também indica que mais de 77% acreditam que novos fatos ainda virão à tona, e 72,6% afirmam que Lula foi diretamente afetado pelas denúncias. Para cerca de 65% dos entrevistados, essas questões terão peso decisivo na hora do voto.

Os dados repercutiram rapidamente no Congresso Nacional. Parlamentares da base aliada tendem a tratar os resultados como parte de um processo natural de desgaste político, especialmente em um contexto marcado por forte pressão e questionamentos constantes. Já a oposição utiliza os números como argumento para reforçar críticas ao governo, avaliando que a perda de popularidade reflete dificuldades de reação e de comunicação com a sociedade. As diferentes leituras mostram como a pesquisa se tornou mais um elemento da disputa política.

Apesar do cenário desafiador, especialistas ponderam que a queda de popularidade não significa, necessariamente, perda definitiva de força eleitoral. O professor Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, avalia que há reconhecimento positivo em áreas estratégicas, como a política econômica e os programas sociais de transferência de renda. Esses fatores, que atingem uma parcela significativa do eleitorado, podem influenciar o comportamento do voto e manter o governo competitivo. Assim, a pesquisa CNT/Sensus revela não apenas um momento de desgaste, mas também um quadro complexo, ainda em aberto, no jogo político brasileiro.