Comunicamos a morte da querida educadora Sueli, mãe do Ni… Ver mais

Conhecida carinhosamente como Kuki, Sueli das Graças Martins Pinto Antognoli deixou uma marca profunda na vida de familiares, amigos e alunos ao longo de quase sete décadas. Ela faleceu no dia 2 de fevereiro, em Porto Alegre, aos 69 anos, em decorrência de um câncer de pulmão, após uma longa trajetória de enfrentamento da doença. A notícia de sua morte gerou comoção entre aqueles que conviveram com sua energia contagiante, sua dedicação à educação inclusiva e sua forma singular de enxergar a vida com leveza e humor, mesmo nos momentos mais delicados.
Nascida em 19 de maio de 1956, Kuki construiu uma história marcada por vínculos afetivos fortes e por uma intensa circulação por diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Viveu em Pinto Bandeira, Bento Gonçalves, Tramandaí e Porto Alegre, locais onde cultivou amizades duradouras e deixou lembranças associadas à alegria, à irreverência e à capacidade de transformar encontros simples em momentos memoráveis. Para quem a conhecia, estar ao seu lado significava rir, conversar e sentir-se acolhido.
Antes de consolidar sua carreira na área da educação especial, Kuki também teve uma passagem significativa pelo universo artístico. Atuou como vocalista da banda Arpege, experiência que contribuiu para desenvolver sua comunicação espontânea e seu gosto pelo palco. A música sempre ocupou um espaço importante em sua vida, assim como a dança e o hábito de contar histórias e piadas, elementos que faziam parte de sua rotina e refletiam sua personalidade extrovertida e generosa.
A escolha pela educação especial não foi por acaso. Kuki formou-se para atuar com crianças com necessidades específicas e aprofundou seus estudos em Caxias do Sul, chegando ao mestrado. Sua atuação profissional era guiada pela convicção de que educar vai além do conteúdo pedagógico, sendo, sobretudo, um exercício diário de empatia, respeito e inclusão. Colegas e ex-alunos destacam seu olhar atento às individualidades e sua capacidade de criar ambientes de aprendizado acolhedores.
Ao longo da carreira, defendeu a inclusão como prática concreta, não apenas como discurso. Para ela, a educação inclusiva era construída no cotidiano, nas pequenas atitudes e na disposição de ouvir e compreender. Esse compromisso se refletia tanto na sala de aula quanto fora dela, reforçando sua imagem como uma profissional dedicada e profundamente envolvida com a transformação social por meio do ensino.
Diagnosticada com câncer de pulmão pela segunda vez, Kuki conviveu com a doença durante oito anos. Mesmo diante dos desafios impostos pelo tratamento, manteve o bom humor e a vontade de viver que sempre a caracterizaram. Familiares e amigos relatam que ela encontrava maneiras de suavizar situações difíceis, usando o riso como ferramenta para enfrentar a rotina hospitalar e para tranquilizar quem estava ao seu redor.
Kuki deixa o filho Guilherme, as irmãs Márcia, Mara e Marta, as sobrinhas Sofia, Marina e Júlia, além de uma extensa rede de amigos espalhados por diferentes regiões do Estado. Sua história permanece viva nas lembranças compartilhadas, nas canções que gostava de cantar e no legado deixado na educação inclusiva. Mais do que despedidas, sua trajetória inspira reflexões sobre afeto, compromisso e a importância de viver com autenticidade até o fim.





