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BOMBA: Olha o que a Polícia Federal fez com Bolsonaro, div… Ler mais

Um novo relatório da Polícia Federal (PF), tornado público nesta quarta-feira (20), lança luz sobre bastidores delicados da atuação política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em meio às investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. O documento traz áudios e mensagens que indicam uma aproximação direta do ex-mandatário brasileiro com representantes de empresas vinculadas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A PF afirma que Bolsonaro pediu instruções a Martin De Luca, advogado que representa a plataforma Rumble e a Trump Media & Technology Group, sobre como se comunicar com o público a respeito do chamado tarifaço imposto pelo governo norte-americano ao Brasil.

No áudio revelado, Bolsonaro admite ter redigido uma nota exaltando Trump e pedindo orientação sobre como divulgar o texto em suas redes sociais. “A questão da liberdade tá muito acima da questão econômica”, declarou o ex-presidente, ressaltando gratidão ao republicano e pedindo que De Luca revisasse o material antes da publicação. Para os investigadores, esse episódio reforça a percepção de alinhamento político e estratégico de Bolsonaro com interesses externos, em especial em momentos de atrito entre Washington e Brasília.

O conteúdo chamou atenção não apenas por expor a proximidade com figuras ligadas a Trump, mas também por indicar uma tentativa de usar medidas de outro governo contra o Brasil em benefício pessoal. Nos bastidores da política, aliados do próprio ex-presidente avaliam que esse pode ser um dos pontos mais comprometedores do relatório. A suspeita é de que Bolsonaro buscava transformar o episódio em ferramenta de pressão sobre autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

As mensagens também revelam desentendimentos internos na família Bolsonaro. Em uma troca tensa com o pai, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) demonstrou insatisfação após declarações do ex-presidente sobre sua disputa política com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Num tom ríspido, Eduardo afirmou: “Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio, mas graças aos elogios que você fez a mim no Poder 360 estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se você aprende.” O episódio expõe a relação conturbada entre pai e filho em meio à crise.

Segundo o relatório da PF, Jair e Eduardo Bolsonaro teriam atuado deliberadamente para intimidar ministros do STF e interferir no julgamento da Ação Penal 2668, que investiga a tentativa de golpe. Os investigadores apontam que os dois disseminaram mensagens em redes sociais em desrespeito às medidas cautelares já impostas, com o apoio do pastor Silas Malafaia. “As mensagens demonstram que as sanções articuladas dolosamente pelos investigados foram direcionadas para coagir autoridades judiciais”, conclui o documento.

Outro trecho considerado sensível mostra que Eduardo passou a publicar conteúdos em inglês, direcionados ao público internacional, numa tentativa de reforçar a imagem de perseguição contra o pai e mobilizar aliados de Trump. Em conversas obtidas pela PF, o deputado admite que a coordenação com norte-americanos tinha como meta blindar Bolsonaro contra uma eventual condenação no processo do golpe. “Se a anistia light passar, a última ajuda vinda dos EUA terá sido o post do Trump. Eles não irão mais ajudar”, escreveu, revelando que a estratégia era manter o tema vivo fora do Brasil para aumentar a pressão política.

Além do vínculo com Trump, os investigadores encontraram no celular do ex-presidente um rascunho de pedido de asilo ao presidente argentino, Javier Milei. No documento, Bolsonaro afirmava ser vítima de perseguição política e solicitava urgência na análise do pedido. A descoberta reforça, segundo a PF, que o ex-chefe do Executivo vinha cogitando deixar o país desde 2024 para escapar de uma possível condenação. Para analistas, o conjunto de mensagens e áudios recuperados revela não apenas um padrão de coordenação internacional, mas também um plano de sobrevivência política baseado em discursos de vitimização e confronto direto com instituições brasileiras.