POLÍTICA

COITADO: Bolsonaro fica sabendo que infelizmente ele v… Ver mais

O embate político e jurídico em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ganhou novos capítulos nesta quinta-feira (21). O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, protocolou uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o bloqueio dos bens de Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle. O pedido se baseia em relatório da Polícia Federal que identificou uma movimentação considerada suspeita de R$ 30 milhões em apenas um ano. A descoberta faz parte das apurações que resultaram no indiciamento do ex-presidente e de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por suposta coação durante investigações sobre uma tentativa de golpe de Estado.

O documento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, e solicita não apenas o bloqueio e sequestro de bens, mas também a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Jair e Michelle Bolsonaro, além de Eduardo e do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Na avaliação de Lindbergh, o volume financeiro movimentado destoa do padrão esperado, mesmo diante da expressiva arrecadação por meio de doações, como na chamada “campanha do PIX”. Para o parlamentar, há indícios de que parte desse dinheiro foi utilizado para financiar atividades políticas de Eduardo no exterior, supostamente destinadas a pressionar instituições brasileiras.

“É uma movimentação atípica, muito mais do que aquela campanha do PIX. Uma parte desse dinheiro foi pra financiar as atividades do Eduardo Bolsonaro fora do Brasil, contra o Brasil, para pressionar o STF”, afirmou o deputado petista em declaração pública. A acusação reforça o clima de tensão que já envolve a família Bolsonaro, alvo de investigações que vão desde a suposta trama golpista até a apropriação irregular de presentes oficiais recebidos durante o mandato presidencial.

A iniciativa de Lindbergh surge em um momento político delicado, em que a oposição tenta reagrupar forças diante da sucessão de investigações envolvendo Bolsonaro. O ex-presidente, que mantém forte base de apoio, já foi alvo de diversas operações da Polícia Federal e tem recorrido à narrativa de perseguição política para mobilizar seus seguidores. A solicitação de bloqueio de bens, se acatada pelo STF, pode representar não apenas um golpe simbólico, mas também prático, com impactos diretos na estrutura de defesa de Bolsonaro e em sua capacidade de manter articulações políticas.

O caso também reacende o debate sobre a relação entre poder político, financiamento privado e transparência. A movimentação de R$ 30 milhões em um ano levanta questionamentos sobre a origem e a destinação dos recursos, especialmente em um contexto em que doações de apoiadores têm se tornado um instrumento frequente de financiamento de figuras públicas. A suspeita de que parte desses valores teria sido direcionada para atividades internacionais de caráter político amplia a gravidade das acusações, sugerindo uma rede de articulação além das fronteiras nacionais.

No campo jurídico, a decisão caberá a Alexandre de Moraes, figura central nas investigações envolvendo Bolsonaro e seus aliados. Conhecido por adotar medidas firmes contra ações consideradas antidemocráticas, Moraes terá diante de si um novo pedido que, se atendido, poderá intensificar o cerco judicial contra a família do ex-presidente. Ao mesmo tempo, a movimentação deve alimentar o discurso de perseguição e fortalecer a retórica de Bolsonaro junto à sua base, que frequentemente acusa o Judiciário de ultrapassar limites constitucionais.

Para além da disputa política imediata, o episódio lança luz sobre o futuro do bolsonarismo e sua capacidade de sobrevivência diante de sucessivos escândalos. A cada nova revelação, cresce o desafio para Bolsonaro equilibrar a pressão das investigações com a necessidade de preservar sua relevância política. Enquanto isso, a oposição aposta na estratégia de associar o ex-presidente a práticas ilegais e antidemocráticas, tentando minar seu capital político de olho nas próximas eleições. O desfecho desse embate dependerá não apenas das decisões judiciais, mas também da percepção da sociedade sobre até que ponto a política e a justiça podem – e devem – se entrelaçar.