Thammy Miranda diz que odeia ser h0mem é que se pudesse seria uma mulher, porq… Ver mais

Thammy Miranda voltou ao centro das atenções com um desabafo que reacendeu o debate sobre identidade de gênero e representatividade LGBTQ+ no Brasil. Em entrevista ao canal “Tráfico de Informações”, no YouTube, o ator, influenciador e filho da icônica Gretchen surpreendeu os fãs com declarações diretas e bem-humoradas sobre sua transexualidade e sua vivência como homem trans. O vídeo viralizou, levando seu nome novamente aos assuntos mais comentados das redes sociais. A franqueza de Thammy escancarou questões profundas sobre identidade, masculinidade e aceitação, reacendendo discussões sociais urgentes.
Durante a conversa, Thammy mostrou-se vulnerável e autêntico, desmistificando a ideia de que ser homem seria uma vantagem. “Cara, se fosse uma escolha, eu não queria ser homem mesmo, porque é uma bosta. Você fica careca, a barba coça”, disse ele, em tom descontraído. A fala, carregada de sarcasmo e crítica, reflete a complexidade de viver em um corpo masculino após uma transição. Quando o entrevistador sugeriu que ele soava inseguro, Thammy não hesitou em concordar: “Tá vendo, cagão. Do caralh0 ser homem, eu queria ser mulher, p0rra!, se eu pudesse escolher”. A honestidade arrancou risos e apoio, mas também dividiu opiniões.
Conhecido do grande público desde a infância, Thammy construiu sua trajetória sob os holofotes. Filho de uma das figuras mais midiáticas do país, ele transitou entre múltiplas facetas artísticas: foi dançarino, cantor, modelo e até atuou na indústria pornográfica no final dos anos 2000. Em 2012, ganhou destaque nacional ao interpretar a policial Jô na novela Salve Jorge, da TV Globo. No ano seguinte, migrou para o SBT e também tentou carreira política, concorrendo ao cargo de vereador por São Paulo. A multiplicidade de experiências o tornou um dos rostos mais conhecidos da comunidade trans no Brasil.
A transição de Thammy, iniciada publicamente em 2014, foi um divisor de águas em sua vida pessoal e profissional. Acompanhado de sua esposa, Andressa Ferreira, e do filho Bento, nascido em 2020, Thammy se tornou um símbolo de representatividade. Nesse mesmo ano, estrelou uma campanha do Dia dos Pais que dividiu opiniões e gerou debates intensos sobre paternidade e identidade de gênero. Embora a iniciativa tenha sido criticada por setores conservadores, foi amplamente celebrada por ativistas e pela comunidade LGBTQ+ como um marco de visibilidade trans na publicidade brasileira.
A entrevista recente, no entanto, trouxe um novo tom: mais humano, íntimo e até cômico. Thammy revelou incômodos que vão além da transição: as expectativas sociais sobre como um homem deve se comportar, a cobrança estética e até a questão da calvície. Seu desabafo, ainda que informal, evidenciou como mesmo após a transição, pessoas trans continuam enfrentando dilemas existenciais e sociais — muitas vezes solitários. Thammy não apenas compartilhou sua jornada, mas também reforçou que identidade de gênero não é um ponto final, e sim um processo contínuo de autoconhecimento e adaptação.
O debate em torno da transexualidade tem ganhado espaço na sociedade, mas ainda é alvo de desinformação e preconceito. Entender a diferença entre identidade de gênero e orientação sexual é um passo fundamental para construir uma sociedade mais justa. Identidade de gênero diz respeito a como a pessoa se vê e se sente internamente — no caso de Thammy, como um homem. Já a orientação sexual trata de por quem essa pessoa se sente atraída. Essas duas dimensões são independentes e não devem ser confundidas.
A jornada de Thammy Miranda simboliza os desafios enfrentados por milhares de pessoas trans que lutam por respeito, dignidade e representatividade. Sua visibilidade, mesmo cercada de polêmicas, desempenha um papel essencial na transformação cultural brasileira. Em um país onde o índice de violência contra pessoas trans é alarmante, cada voz que se levanta com coragem contribui para ampliar a empatia e quebrar tabus. Thammy não é apenas uma figura pública — é um símbolo vivo de resiliência, autenticidade e mudança. E ao desabafar de forma tão honesta, ele nos lembra que a liberdade de ser quem se é continua sendo um ato revolucionário.
