POLÍTICA

URGENTE: Após investigações, Eduardo Bolsonaro acaba de ser… Ler mais

A cena política brasileira ganhou mais um capítulo de forte impacto nesta quarta-feira (26). A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sob a acusação de coação no processo penal que investiga a chamada “trama golpista”. A investigação aponta que ambos, com o apoio do pastor Silas Malafaia, teriam articulado estratégias para pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de paralisar a ação penal em andamento contra o ex-presidente. Em um movimento que chamou atenção, a PF também apreendeu o passaporte e o telefone celular de Malafaia, colocando-o no centro de uma investigação que mistura religião, política e justiça.

De acordo com o relatório da Polícia Federal, foram reunidos áudios, mensagens e documentos que, segundo os investigadores, revelam tentativas de interferência direta no processo judicial. Entre os materiais analisados, está um documento que indicaria que Jair Bolsonaro cogitou pedir asilo político ao presidente argentino Javier Milei. Esse detalhe, até então desconhecido, acrescenta um elemento internacional à crise e levanta dúvidas sobre a real disposição de Bolsonaro em enfrentar as consequências jurídicas de sua gestão e de seus atos pós-presidência.

A suspeita contra Malafaia, um dos mais influentes líderes evangélicos do país, amplia ainda mais o alcance da operação. Segundo a PF, ele teria assumido papel central na tentativa de coagir ministros do Supremo, atuando como interlocutor e incentivador de uma rede de pressão contra as instituições. A apreensão de seu passaporte e celular sugere que a Justiça quer não apenas limitar sua liberdade de movimentação, mas também analisar a fundo sua participação nos bastidores dessa articulação. O fato de Malafaia ter sido abordado ao desembarcar no Brasil, vindo do exterior, reforça o tom de surpresa e de firmeza da ação policial.

O indiciamento de Jair e Eduardo Bolsonaro é considerado por especialistas como um ponto de inflexão no avanço das investigações sobre os atos antidemocráticos. Se até então as apurações orbitavam figuras próximas ao ex-presidente e militares de alta patente, agora atingem diretamente o núcleo familiar de Bolsonaro e um de seus mais leais aliados religiosos. Para investigadores e juristas, a acusação de coação no processo penal pode abrir caminho para desdobramentos ainda mais graves, incluindo acusações de obstrução de justiça e associação criminosa.

O podcast O Assunto, do g1, dedicou o episódio desta quarta-feira a destrinchar os detalhes da operação. O apresentador Victor Boyadjian recebeu o jornalista César Tralli, que trouxe informações exclusivas sobre os bastidores do relatório da PF e explicou a importância desse novo capítulo para o futuro político e jurídico de Jair Bolsonaro. Tralli relembrou como a investigação começou, destacou o peso das provas reunidas e detalhou a atuação da Polícia Federal durante a operação que mirou Malafaia. Para os ouvintes, ficou claro que o caso ainda deve se desenrolar por meses, com possíveis novas fases de investigação.

Os bastidores revelados pelo podcast ajudam a compreender por que a PF intensificou as ações justamente agora. Com o avanço das apurações sobre a tentativa de golpe de Estado e os atos de 8 de janeiro de 2023, a pressão por respostas concretas aumentou dentro e fora do Supremo. Além disso, a suposta intenção de Bolsonaro em buscar refúgio na Argentina acendeu um alerta nas autoridades sobre o risco de fuga ou de mobilização internacional em sua defesa. O relatório da PF, ao trazer essas informações à tona, amplia a gravidade do quadro e torna mais difícil qualquer tentativa de minimizar o episódio.

Desde que deixou o Planalto, Bolsonaro tem se mantido ativo politicamente, mas cercado por investigações que colocam em xeque sua elegibilidade e seu futuro como líder da direita brasileira. O indiciamento desta quarta-feira, somado à repercussão da apreensão de documentos e aparelhos de aliados próximos, projeta uma sombra ainda maior sobre suas pretensões eleitorais e sobre a própria unidade de sua base. O desfecho do caso será crucial não apenas para o destino pessoal do ex-presidente, mas também para o cenário político do país nos próximos anos.