NOTÍCIAS

Escola de samba que zombou de cristão em latas de conserva, recebe duro castigo, exp… Ver mais

Uma nova tendência tomou conta das redes sociais nos últimos dias e colocou parlamentares da oposição no centro de um debate que mistura política, cultura e tecnologia. Deputados e senadores passaram a publicar ilustrações de suas famílias estampadas em latas de conserva, em resposta a um desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa rapidamente ganhou tração nas plataformas digitais, impulsionada por apoiadores e críticos, e transformou um elemento carnavalesco em símbolo de embate ideológico.

O movimento surgiu após a apresentação do enredo intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que percorreu a trajetória do presidente desde sua saída de Garanhuns, em Pernambuco, até a chegada ao Palácio do Planalto. Em uma das alas, intitulada “neoconservadores em conserva”, a escola retratou conservadores como latas de alimentos, em uma representação artística que buscava dialogar com o cenário político atual. O desfile destacou ainda bandeiras associadas às gestões petistas e mensagens que fizeram referência ao contexto eleitoral recente.

A resposta da oposição veio quase de imediato. Parlamentares recorreram a ferramentas de inteligência artificial para criar imagens estilizadas de suas próprias famílias dentro de latas, ressignificando o símbolo apresentado na avenida. A estética padronizada, com cores vibrantes e rótulos personalizados, foi compartilhada em perfis oficiais e replicada por seguidores. O uso da tecnologia ampliou o alcance da ação, mostrando como recursos digitais têm sido incorporados às estratégias de comunicação política.

O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante, foi um dos primeiros a aderir à tendência. Ele publicou a imagem da família acompanhada da frase “Conservador por Jesus Cristo”, reforçando sua identidade ideológica e religiosa. A postagem gerou engajamento expressivo e comentários de apoio, além de críticas de adversários, evidenciando o ambiente polarizado que marca o debate público nas redes.

No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho, também divulgou ilustração semelhante. Em sua legenda, afirmou que a esquerda “zomba da família, alicerce do Brasil”, destacando valores que considera centrais para parte significativa da população. A publicação foi interpretada por aliados como um gesto de defesa de princípios conservadores e, por opositores, como mais um capítulo da disputa narrativa travada no ambiente digital.

Além da mobilização nas redes, a oposição decidiu acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) para questionar a ala apresentada no desfile. Parlamentares argumentam que a representação teria extrapolado os limites da crítica política e solicitado análise institucional sobre o caso. A medida adicionou um componente jurídico ao episódio, ampliando sua repercussão para além do universo carnavalesco.

O episódio revela como manifestações culturais, especialmente o Carnaval, seguem sendo palco de debates sociais e políticos no Brasil. Ao mesmo tempo, evidencia a força das redes sociais como espaço de reação imediata e construção de narrativas. Entre críticas, manifestações de apoio e questionamentos formais, o tema continua a movimentar o noticiário e a atrair a atenção do público, mostrando que, no cenário atual, símbolos e imagens podem ganhar significados que ultrapassam a avenida e alcançam milhões de telas em todo o país.