AGORA: Lula convoca ex-ministros do TSE para s… Ver mais

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu ampliar sua estrutura jurídica para a disputa presidencial de 2026 e incorporou dois nomes com experiência direta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os advogados e irmãos Henrique Neves e Fernando Neves passaram a integrar o grupo responsável pelo acompanhamento jurídico da candidatura, em uma movimentação que reforça a preparação da equipe para uma eleição com intensa atenção às regras eleitorais. A chegada dos dois especialistas coloca ainda mais foco sobre a estratégia que será adotada pela campanha nos próximos meses.
A inclusão dos ex-ministros faz parte de uma ampliação coordenada pelo advogado Angelo Ferraro, responsável pelo núcleo jurídico da candidatura. A proposta é reunir profissionais com diferentes áreas de atuação para acompanhar as demandas que surgirem durante a corrida eleitoral. Henrique Neves possui experiência no próprio TSE e foi indicado por Lula, em 2008, para atuar como ministro substituto. Em 2012, passou a exercer o cargo de ministro efetivo após recondução durante o governo Dilma Rousseff. A trajetória no tribunal faz com que sua experiência seja especialmente relevante para uma campanha que precisará acompanhar de perto decisões e interpretações da Justiça Eleitoral.
Fernando Neves também tem uma longa relação com o TSE. Ele integrou a Corte entre 1997 e 2004 e agora retorna ao cenário eleitoral como integrante da equipe jurídica de Lula. Além dos dois ex-ministros, a campanha incorporou outros advogados, entre eles Bruno Mendonça, Luiz Eduardo Peccinin, Michel Bertoni, Fábio Brito, Antônio Leonardo, Miguel Novaes, Raphael Carvalho e Rafael Carneiro. Este último também presta serviços jurídicos ao vice-presidente Geraldo Alckmin, que integra a chapa presidencial. A composição mostra a intenção de formar um grupo diversificado e preparado para acompanhar diferentes frentes da disputa.
A estrutura também contará com especialistas voltados a áreas específicas. Na área penal, o advogado Pierpaolo Bottini fará parte da equipe, enquanto Márcia Pelegrini e Alessandro Soares ficarão responsáveis por questões relacionadas à prestação de contas e à fiscalização financeira da candidatura perante a Justiça Eleitoral. Segundo Angelo Ferraro, os profissionais não deverão trabalhar em setores totalmente isolados. A orientação é manter uma atuação integrada, permitindo que os integrantes participem de diferentes assuntos conforme as necessidades da campanha. Dessa maneira, o grupo poderá acompanhar desde questões envolvendo propaganda eleitoral até representações, pedidos de direito de resposta e outras demandas judiciais.
A presença de profissionais com passagem pelo TSE também aparece em outras campanhas presidenciais. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também disputa a Presidência em 2026, conta com a ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri na coordenação jurídica de sua candidatura. O cenário indica que o conhecimento das normas eleitorais ganhou espaço estratégico entre os principais grupos que se preparam para a eleição. Em uma disputa na qual decisões judiciais podem influenciar a comunicação das campanhas, a atuação preventiva dos advogados tende a ocupar uma posição importante. O objetivo é acompanhar os limites estabelecidos pela legislação e orientar candidatos e equipes diante de eventuais questionamentos.
Com a chegada de Henrique e Fernando Neves, a campanha de Lula passa a contar com especialistas que conhecem de perto o funcionamento da Justiça Eleitoral e os procedimentos do TSE. A ampliação acontece meses antes da eleição e sinaliza que o núcleo jurídico terá papel relevante na organização da candidatura. Além de responder a possíveis questionamentos, a equipe deverá acompanhar decisões, analisar situações relacionadas à propaganda e auxiliar na adequação das atividades políticas às regras eleitorais. Para uma campanha presidencial marcada pela forte disputa entre diferentes grupos, o investimento em uma estrutura jurídica ampla revela que a preparação não ficará restrita ao campo político: o acompanhamento das questões legais também será uma das prioridades da corrida eleitoral de 2026.





