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BOMBA: olha só o que o LULA disse sobre o Flávio, que ele n… Ver mais

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ganhou destaque no debate político e movimentou as redes sociais nesta semana. Durante uma transmissão ao vivo realizada na quinta-feira, 5 de novembro, ao lado do deputado federal André Janones, Lula comentou a presença do parlamentar brasileiro em território norte-americano e usou ironia para relacionar a chegada dele ao resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos. O presidente chamou Flávio de “pé-frio” e afirmou, em tom de provocação, que o senador teria levado azar ao presidente Donald Trump. A fala repercutiu por envolver dois personagens conhecidos da política e por aproximar acontecimentos do cenário brasileiro e norte-americano.

Ao comentar o resultado das chamadas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, Lula fez referência ao desempenho dos democratas nas disputas pelo Congresso dos Estados Unidos. Na avaliação apresentada pelo presidente durante a live, a chegada de Flávio ao país coincidiu com um cenário desfavorável para o grupo político de Trump. “Chegou nos Estados Unidos, Trump perdeu”, afirmou Lula, em uma das passagens que mais chamaram a atenção. A frase foi acompanhada de uma crítica à decisão do senador de viajar para o exterior. O comentário, portanto, não ficou restrito ao resultado eleitoral norte-americano: também serviu para Lula questionar, publicamente, as escolhas políticas e pessoais de seu adversário.

Na mesma transmissão, o presidente retomou um episódio de campanha envolvendo símbolos nacionais. Lula mencionou que, durante um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, Flávio teria demonstrado proximidade com a bandeira dos Estados Unidos, enquanto ele próprio destacava a bandeira brasileira. A lembrança foi usada para reforçar a crítica à relação de integrantes da família Bolsonaro com setores da política norte-americana. Em seguida, Lula afirmou acreditar que o senador havia viajado em busca de proteção nos Estados Unidos. O presidente acrescentou que Flávio precisaria retornar ao Brasil para tratar das questões judiciais que, segundo ele, ainda estão pendentes. As declarações foram feitas em tom político e não representam, por si só, uma decisão judicial.

A viagem de Flávio Bolsonaro já vinha provocando questionamentos desde o fim de outubro. O senador deixou o Brasil no dia 27 daquele mês e chegou aos Estados Unidos, em um deslocamento que recebeu ampla atenção da imprensa. Reportagens publicadas na ocasião informaram que ele viajou acompanhado da família e que pessoas próximas mencionaram contatos com integrantes do governo norte-americano. Também houve relatos sobre a possibilidade de concessão de vistos para permitir a permanência do parlamentar e de seus familiares no país. A saída ocorreu em meio a discussões sobre sua situação política e jurídica, além de determinações relacionadas à entrega de documentos de viagem. Esses elementos ampliaram a repercussão do episódio e deram contexto às novas declarações de Lula.

O caso também passou a envolver questionamentos sobre a documentação utilizada pelo senador. Em 6 de novembro, o governo da Itália informou ao Parlamento daquele país que Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro tiveram a cidadania italiana reconhecida em 5 de janeiro de 2023, após a apresentação dos documentos em novembro de 2022. Segundo a resposta oficial, o procedimento seguiu as regras então vigentes. Parlamentares italianos, por outro lado, levantaram dúvidas sobre o prazo de análise, considerado curto quando comparado à espera enfrentada por outros solicitantes. O debate acrescentou uma dimensão internacional ao assunto, embora a informação sobre a cidadania seja distinta das críticas feitas por Lula durante a transmissão ao vivo.

A repercussão da fala presidencial evidencia como a viagem do senador continua no centro das discussões políticas, tanto no Brasil quanto no exterior. De um lado, Lula aproveitou a coincidência entre a presença de Flávio nos Estados Unidos e o resultado das eleições legislativas para fazer uma provocação pública. De outro, a movimentação do parlamentar e as dúvidas levantadas sobre seus documentos mantêm o tema em evidência. Até o momento, a declaração do presidente não altera a situação jurídica do senador nem esclarece, por si só, os pontos ainda debatidos sobre sua viagem. O episódio mostra, sobretudo, como disputas políticas nacionais podem ganhar dimensão internacional e alimentar novas reações entre lideranças, partidos e eleitores, além de gerar eventuais esclarecimentos das autoridades competentes nos dois países.