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Após pedido de Bolsonaro, PGR se manifesta e não… Ver mais

O pedido para que o senador Flávio Bolsonaro possa visitar o pai, Jair Bolsonaro, avançou no Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda não há uma definição sobre quando o encontro poderá ocorrer. A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo, na terça-feira (6), manifestação em que não apresentou oposição à solicitação feita pela defesa do ex-presidente. O posicionamento foi apresentado depois que o ministro Alexandre de Moraes pediu que a Procuradoria analisasse o caso antes de tomar uma decisão. Agora, a expectativa fica concentrada no despacho do ministro, que deverá avaliar os argumentos apresentados pela defesa e a manifestação da PGR. A situação ganhou atenção especial porque ocorre poucos dias antes do término do período de restrição que impede Flávio de visitar o pai e em meio à campanha presidencial do senador para o segundo turno.

Na manifestação, a PGR informou que não identificou fatos recentes que indiquem descumprimento das condições impostas a Jair Bolsonaro ou que justifiquem a continuidade da restrição específica relacionada às visitas de Flávio. Por essa razão, o órgão decidiu não apresentar objeção ao pedido formulado pelos advogados do ex-presidente. O posicionamento, porém, não significa que a visita esteja automaticamente autorizada. A palavra final continua com Alexandre de Moraes, responsável por analisar a solicitação dentro do processo que tramita no STF. A defesa agora aguarda a avaliação do ministro, enquanto a manifestação da Procuradoria passa a integrar os elementos que serão considerados antes da decisão. A Agência Brasil também informou que o procurador-geral Paulo Gonet apresentou parecer favorável à retomada das visitas.

A restrição à visita de Flávio foi determinada em julho e tinha prazo inicial de 90 dias. Na ocasião, o senador havia divulgado em suas redes sociais uma carta escrita pelo pai, apesar das regras impostas a Jair Bolsonaro em relação ao uso de plataformas digitais, inclusive por intermédio de terceiros. A decisão estabeleceu a suspensão das visitas de Flávio durante o período determinado pelo Supremo. Com a aproximação do fim desse prazo, a defesa voltou a procurar a Justiça para solicitar uma mudança no regime. Os advogados sustentam que não haveria razão para manter a restrição e pedem que seja retomado o modelo anterior, no qual familiares de primeiro grau podiam visitar Bolsonaro sem a necessidade de uma autorização individual do Supremo para cada encontro.

O pedido apresentado pela defesa também prevê uma alternativa caso a retomada geral das visitas não seja autorizada. Nesse cenário, os advogados solicitam que Flávio possa realizar pelo menos uma visita ao pai antes do encerramento da suspensão, previsto para 11 de outubro. A defesa afirma que o encontro teria finalidade exclusivamente familiar e que a visita poderia seguir todas as regras de entrada, fiscalização e segurança estabelecidas pelas autoridades. Bolsonaro permanece em prisão domiciliar e sujeito às determinações judiciais que acompanham o cumprimento de sua pena. A solicitação para que Flávio pudesse visitá-lo foi protocolada na segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno da eleição presidencial, no qual o senador avançou para a segunda etapa da disputa.

O momento em que o pedido foi apresentado também acrescenta um elemento político à repercussão do caso. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança da disputa presidencial, com 47,03% dos votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registrou 45,16%, segundo os resultados citados pelas reportagens. Com a campanha agora voltada para o segundo turno, qualquer movimentação envolvendo o senador e seu núcleo familiar passa a receber atenção ampliada. A defesa, entretanto, apresenta a solicitação de visita como uma questão de caráter familiar e pede que eventual encontro seja realizado dentro das regras determinadas pelo próprio Supremo. A manifestação da PGR representa, nesse contexto, uma etapa importante do processo, mas não antecipa qual será a decisão de Moraes.

A partir de agora, o principal ponto de atenção é a decisão de Alexandre de Moraes. O ministro poderá aceitar o pedido para restabelecer o regime anterior de visitas ou analisar a alternativa apresentada pelos advogados, que prevê ao menos um encontro antes do encerramento do prazo da suspensão. Também poderá considerar as condições estabelecidas para preservar as medidas judiciais atualmente aplicadas a Jair Bolsonaro. Enquanto não houver uma decisão oficial, Flávio continua aguardando autorização para visitar o pai. A manifestação da PGR retirou uma oposição formal ao pedido e colocou o caso em uma nova etapa, mas somente o Supremo poderá definir os próximos passos. Por isso, o desfecho da solicitação deverá ser acompanhado de perto nos próximos dias, especialmente diante da proximidade do prazo de 11 de outubro e da importância política que o momento atual representa para a campanha de Flávio Bolsonaro.