Brasil de luto: morte de querido JORNALISTA é confirmada, descanse em paz Da… Ver mais

O jornalismo brasileiro se despede de Silvio Barsetti, profissional que construiu uma trajetória de destaque na imprensa nacional e ficou conhecido pela apuração cuidadosa, pelas reportagens exclusivas e pelas perguntas diretas a personagens importantes do esporte. O jornalista morreu na terça-feira, 13 de outubro de 2026, aos 61 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de um melanoma metastático. Com passagens por grandes veículos de comunicação e atuação recente na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ele deixou uma contribuição importante para a cobertura esportiva e para a investigação de temas ligados à política brasileira.
Formado em Jornalismo pela Faculdade Hélio Alonso (Facha), em 1988, Barsetti iniciou a carreira no tradicional Jornal dos Sports. Ao longo dos anos, trabalhou em publicações como Jornal do Brasil, O Dia e O Estado de S. Paulo, além de integrar o time de colunistas do Terra entre 2016 e 2023. Sua experiência permitiu acompanhar de perto transformações no futebol nacional, decisões de dirigentes, competições internacionais e acontecimentos que ultrapassaram os limites dos gramados. A combinação entre conhecimento do esporte, experiência nas redações e disposição para questionar informações ajudou a consolidar seu nome entre os profissionais reconhecidos do jornalismo esportivo.
Um dos episódios mais conhecidos de sua carreira ocorreu em 2010, quando publicou uma reportagem antecipando que o estádio do Morumbi ficaria fora dos planos para a Copa do Mundo de 2014 e que uma nova arena seria construída em Itaquera, na zona leste de São Paulo. A informação teve grande repercussão e, posteriormente, foi confirmada com a definição dos estádios que receberiam partidas do Mundial. A futura Arena Corinthians, atualmente conhecida como Neo Química Arena, acabou recebendo a abertura da competição. O trabalho se tornou uma referência de sua atuação profissional e reforçou a importância da investigação, da checagem e da busca por informações relevantes para o público.
Durante o período em que trabalhou no Terra, Barsetti também ganhou visibilidade por entrevistas e questionamentos dirigidos a atletas e dirigentes. Um dos momentos que voltou a circular nas redes sociais foi a conversa com Neymar durante a preparação da Seleção Brasileira para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o jornalista abordou questões relacionadas ao comprometimento do jogador com a equipe nacional, em uma entrevista que repercutiu entre torcedores e profissionais da imprensa. A postura refletia uma característica presente em sua carreira: abordar assuntos de interesse público sem deixar de fazer perguntas difíceis, mesmo diante de figuras de grande projeção no esporte.
A produção de Barsetti também foi além do futebol. O jornalista dedicou parte de seu trabalho à investigação dos bastidores da política brasileira e publicou os livros A Farra dos Guardanapos — O último baile da era Cabral e O Outro Lado do Poder — A história da política brasileira pela ótica das prostitutas. As obras abordaram relações entre poder, influência e acontecimentos políticos, mostrando outra dimensão de sua atuação como pesquisador e escritor. Desde o início de 2023, ele trabalhava na área de comunicação da CBF, onde exercia a função de coordenador. Em comunicado, a entidade destacou suas qualidades profissionais e pessoais e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho.
A notícia da morte de Silvio Barsetti representa uma perda para o jornalismo e para os profissionais que acompanharam sua trajetória ao longo de quase quatro décadas. Além das reportagens e dos livros, sua história fica associada à busca por informações exclusivas, à disposição para investigar temas complexos e à participação em momentos importantes do esporte brasileiro. Torcedor do América do Rio, ele manteve uma ligação pessoal com o futebol que também fazia parte de sua identidade. Seu trabalho em diferentes veículos e, nos últimos anos, na principal entidade do futebol nacional evidencia a amplitude de uma carreira dedicada à comunicação. Aos 61 anos, Barsetti deixa lembranças entre colegas de profissão e um conjunto de trabalhos que ajuda a contar parte da história recente do esporte e da política no Brasil.





