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Coordenador de Flávio Bolsonaro diz que Fachin pr… Ver mais

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 começou a movimentar também as relações entre os principais grupos políticos e o Supremo Tribunal Federal. Nesta terça-feira (6), o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, se reuniu com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, em Brasília. O encontro aconteceu apenas dois dias depois do primeiro turno e ganhou destaque pelo momento político em que ocorreu. Antes da reunião, Marinho havia afirmado que pretendia conversar com Fachin sobre decisões da Corte que, na avaliação da campanha, estariam interferindo na atuação da Justiça Eleitoral. A conversa colocou novamente em evidência a relação entre o grupo de Flávio e o Judiciário, um dos assuntos que deverão permanecer no centro do debate durante a reta final da eleição.

Rogério Marinho já havia solicitado a audiência com Fachin semanas antes, quando ainda ocupava também uma posição de liderança da oposição no Senado. Segundo o senador, a intenção era apresentar preocupações relacionadas à atuação do Supremo e discutir a relação entre as instituições responsáveis pelo processo eleitoral. A reunião acabou sendo marcada para esta terça-feira, às 13h, na sede do STF. O encontro ocorreu antes de outra audiência de Fachin, desta vez com a senadora Teresa Leitão, líder do governo Lula no Senado. A sequência de reuniões chamou atenção porque colocou, no mesmo dia, representantes dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno diante do presidente da Suprema Corte. O cenário mostra que, além da disputa eleitoral, as relações institucionais entre Executivo, Legislativo e Judiciário também começam a ganhar espaço nas articulações políticas.

Depois da conversa com Fachin, Marinho apresentou uma mensagem que passou a ser um dos principais destaques do encontro. O coordenador da campanha de Flávio afirmou que um eventual governo do candidato não pretende adotar uma postura de retaliação contra ministros do Supremo, mas também não deixará de agir caso existam situações que, na avaliação do Senado, mereçam análise. Marinho resumiu essa posição ao afirmar que não haverá “vingança nem omissão”. A declaração procura estabelecer uma diferença entre confronto político e fiscalização institucional, indicando que a campanha pretende defender sua visão sobre a separação entre os Poderes sem antecipar medidas específicas contra integrantes da Corte. O senador também afirmou que o Senado deverá cumprir seu papel constitucional diante de eventuais questões envolvendo ministros.

Apesar do tom mais cuidadoso apresentado após a reunião, Marinho manteve críticas à atuação de integrantes do Judiciário. Antes e depois do encontro, o senador questionou decisões que considera uma interferência na Justiça Eleitoral e citou ministros do STF ao comentar sua avaliação sobre o cenário institucional. Ele afirmou ainda que pretende deixar para depois da eleição uma eventual conversa direta com alguns integrantes da Corte. A posição revela que, embora exista disposição para estabelecer diálogo com Fachin, permanecem diferenças importantes entre o grupo político de Flávio e setores do Supremo. Para a campanha, o desafio agora é conciliar a necessidade de apresentar propostas ao eleitorado no segundo turno com a defesa de uma relação institucional que não transforme o debate eleitoral em uma disputa permanente entre Poderes.

A reunião também ocorre em um momento de mudanças na composição do Congresso Nacional. O Partido Liberal, legenda de Flávio Bolsonaro, conquistou posições de destaque nas duas Casas após o primeiro turno, ampliando sua presença no Senado e na Câmara. Esse resultado aumenta a importância das articulações que serão realizadas durante as próximas semanas e também pode influenciar a relação entre um eventual governo de Flávio e o Legislativo. Ao mesmo tempo, o crescimento da bancada do PL colocou em evidência discussões sobre propostas que envolvem o funcionamento do Supremo e o relacionamento entre os Poderes. Ainda assim, qualquer medida futura dependerá das decisões tomadas pelos parlamentares e das regras constitucionais, não sendo possível antecipar quais temas efetivamente avançarão a partir de 2027.

Com a eleição presidencial agora concentrada entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, a conversa entre Rogério Marinho e Edson Fachin acrescenta um novo elemento ao cenário do segundo turno. A mensagem transmitida pelo coordenador da campanha indica que o grupo de Flávio pretende manter uma postura de diálogo institucional, ao mesmo tempo em que continuará questionando decisões do Judiciário que considera inadequadas. Do outro lado, o STF mantém sua atuação dentro de suas atribuições, enquanto representantes das duas campanhas buscam estabelecer seus próprios canais de interlocução com a Corte. Nas próximas semanas, novos encontros e declarações podem surgir à medida que a campanha avance. Para o eleitor, o episódio mostra que a relação entre os Poderes deverá continuar sendo um dos temas relevantes da disputa, especialmente diante da possibilidade de uma nova configuração política a partir de 2027.