Críticas de Cármen Lúcia faz com que Janja desista d… Ver mais

A decisão tomada nos bastidores do poder, às vésperas de um dos desfiles mais comentados do carnaval, movimentou Brasília e os bastidores da folia. Segundo apuração da coluna, alertas feitos pela ministra Cármen Lúcia, que preside o Tribunal Superior Eleitoral, foram determinantes para que a primeira-dama Janja optasse por não participar, na última hora, do desfile da escola Acadêmicos de Niterói. O episódio, que mistura política, arte e estratégia institucional, rapidamente ganhou repercussão nacional e se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.
O imbróglio começou quando integrantes da oposição questionaram, junto ao TSE, a legalidade da apresentação da escola, que levaria para a avenida um enredo com referências diretas ao cenário político recente do país. Após análise, a Corte autorizou o desfile por entender que não havia base jurídica para impedir uma manifestação artística. A decisão reforçou o entendimento de que a liberdade de expressão cultural deve ser preservada, especialmente em eventos tradicionais como o carnaval, conhecido por sua veia crítica e bem-humorada.
Apesar da autorização, Cármen Lúcia fez ponderações consideradas relevantes nos bastidores. De acordo com fontes ouvidas pela coluna, a ministra alertou que não existia “salvo-conduto para quem quer que seja”, sinalizando que eventuais excessos poderiam ser analisados futuramente à luz da legislação eleitoral. O recado foi interpretado como um chamado à cautela. O samba-enredo, segundo avaliação interna, abria margem para questionamentos posteriores, sobretudo por ocorrer em um ano de intensa polarização política.
Diante desse cenário, Janja decidiu recuar. Ela estava prevista para desfilar no carro alegórico que encerraria a apresentação da Acadêmicos de Niterói, mas optou por não participar. A substituição ocorreu pouco antes do início do desfile, surpreendendo parte da organização e do público. Em seu lugar, assumiu a cantora Fafá de Belém, figura reconhecida por sua trajetória artística e por sua participação histórica em momentos simbólicos da vida política brasileira.
O desfile, ainda assim, manteve o tom crítico e satírico característico do carnaval. Um dos carros alegóricos retratou o ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço usando tornozeleira eletrônica, em uma representação que arrancou reações diversas do público. Ao mesmo tempo, a escola exaltou realizações atribuídas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, compondo um contraste que evidenciou o posicionamento político do enredo.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem avaliam que a decisão do TSE seguiu a jurisprudência consolidada de proteção à liberdade artística, mas destacam que o alerta da presidente da Corte não deve ser ignorado. Para esses analistas, a presença de figuras públicas em eventos com forte conotação política pode gerar questionamentos futuros, especialmente quando há elementos que possam ser interpretados como propaganda antecipada ou promoção institucional fora dos limites legais.
O episódio expõe, mais uma vez, como o carnaval segue sendo palco de debates que vão além da festa. Ao unir cultura popular e temas políticos sensíveis, a Acadêmicos de Niterói colocou em evidência a delicada linha entre expressão artística e responsabilidade institucional. O recuo estratégico de Janja, motivado pelos alertas da presidência do TSE, revela que, mesmo em meio à celebração, as decisões são cuidadosamente calculadas. E mostra que, no Brasil contemporâneo, política e cultura continuam caminhando lado a lado, despertando paixões, discussões e grande interesse do público.



