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CULPOU BOLSONARO: Haddad deixa todos em choque ao dizer q… Ver mais

O debate sobre as contas públicas voltou a ganhar destaque nesta terça-feira (10) após declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante a CEO Conference Brasil 2026, evento organizado pelo BTG Pactual em São Paulo. Em um dos encontros mais aguardados do setor empresarial e financeiro, Haddad buscou contextualizar o cenário fiscal do país e explicou que parte relevante do déficit primário atual já estava previamente comprometida por decisões tomadas em administrações anteriores, o que limita a margem de manobra do governo atual.

Segundo o ministro, é fundamental analisar o quadro fiscal com uma visão mais ampla e histórica, evitando interpretações simplistas sobre responsabilidade exclusiva da gestão atual. Haddad afirmou que entende as cobranças vindas do mercado financeiro, especialmente da região da Faria Lima, tradicional centro de decisões econômicas do país. No entanto, ressaltou que o papel do ministro da Fazenda envolve lidar simultaneamente com pressões políticas, econômicas e sociais, muitas vezes conflitantes entre si.

Durante sua fala, Haddad destacou que diversas despesas que impactam diretamente o orçamento já estavam “contratadas” antes mesmo do início do atual governo. Ele citou como exemplo o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que teve sua ampliação aprovada anteriormente e cujos efeitos financeiros se estendem até este ano. Além disso, mencionou a chamada “escadinha” de capitalização do fundo, mecanismo que aumenta gradualmente os aportes da União, ampliando a pressão sobre as contas públicas.

Outro ponto lembrado pelo ministro foi a flexibilização das regras de elegibilidade do Benefício de Prestação Continuada (BPC), aprovada em 2021. De acordo com Haddad, essas mudanças ampliaram o acesso ao benefício e, consequentemente, elevaram os gastos obrigatórios. Para ele, esse conjunto de decisões torna o desafio fiscal mais complexo, já que muitas despesas são de difícil reversão no curto prazo, exigindo negociações políticas delicadas para qualquer ajuste.

Em tom descontraído, mas realista, Haddad afirmou compreender o “clamor” do mercado por maior controle fiscal e previsibilidade. Ainda assim, fez questão de enfatizar os limites institucionais do cargo. “Você tem que negociar com o Congresso, que tinha acabado de aprovar o aumento de despesas”, disse o ministro, acrescentando que, apesar das expectativas, as decisões econômicas dependem de articulação política e de respeito às regras democráticas. Ao usar uma expressão popular, reforçou que, apesar da relevância do posto, trata-se de um trabalho exercido por uma única pessoa diante de um sistema complexo.

O ministro também comentou sobre a percepção pública em relação ao cargo que ocupa. Reconhecendo que muitos o consideram uma função extremamente desgastante, Haddad afirmou que a posição é, sim, “um pouco desafiadora”, mas rejeitou a ideia de que seja o pior emprego possível. Pelo contrário, destacou o caráter estratégico e formativo da função, que permite uma visão aprofundada sobre as diferentes realidades econômicas e sociais do Brasil.

Ao encerrar sua participação, Haddad deixou uma mensagem que mistura pragmatismo e otimismo. Segundo ele, ocupar o Ministério da Fazenda oferece a oportunidade de compreender o país de forma única, a partir de uma cadeira que exige responsabilidade, diálogo e visão de longo prazo. Em meio a pressões do mercado, do Congresso e da sociedade, o ministro sinalizou que o desafio fiscal continua sendo uma construção coletiva, dependente de escolhas passadas, presentes e futuras.