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Morre a jornalista política Sônia Carneiro, mãe do Fa… Ver mais

A jornalista Sônia Carneiro, conhecida por muitos como Soninha, morreu aos 74 anos neste domingo (20), em Brasília, deixando uma trajetória de mais de cinco décadas dedicada ao jornalismo e à comunicação. Com atuação especialmente ligada à cobertura política, ela acompanhou de perto diferentes momentos da história recente do Brasil e construiu uma carreira marcada pela presença constante no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. A notícia repercutiu entre colegas, autoridades e profissionais da imprensa, que destacaram a importância de sua atuação em Brasília. Segundo informações divulgadas pela família e por veículos de imprensa, Sônia morreu em casa após um mal súbito, enquanto dormia. Ela deixa os filhos Terence Zveiter e Danniel Zveiter, além de netos.

Nascida no Rio de Janeiro, Sônia Carneiro iniciou a carreira profissional em 1971, quando ingressou na Rádio Jornal do Brasil. Foi em Brasília, entretanto, que construiu grande parte de sua trajetória e passou a acompanhar diariamente as decisões e os personagens que estavam no centro da política nacional. Ao longo de 32 anos, trabalhou na Rádio Jornal do Brasil e no Jornal do Brasil, exercendo funções como repórter, repórter especial e chefe de reportagem. Também ocupou a chefia da rádio em Brasília. Sua experiência permitiu que acompanhasse diferentes governos, campanhas eleitorais e discussões que tiveram impacto na vida política brasileira. O trabalho desenvolvido ao longo desse período fez com que seu nome ficasse associado à cobertura cotidiana dos principais centros de decisão do país.

Entre os capítulos acompanhados por Sônia estão o movimento Diretas Já, os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, a CPI relacionada a PC Farias e o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor. A cobertura da Constituinte de 1988 ocupou um espaço importante em sua carreira, já que a jornalista acompanhou de perto os debates e as articulações que resultaram na Constituição Federal promulgada em 5 de outubro daquele ano. Décadas depois, suas lembranças daquele período foram registradas pela TV Senado na série “Testemunha da História”. Em depoimentos sobre a época, Sônia relatou aspectos da rotina dos profissionais que acompanhavam as atividades parlamentares e ressaltou a relevância do trabalho jornalístico para aproximar a população das discussões realizadas no Congresso.

A jornalista também ficou conhecida pela maneira direta de conversar com autoridades e buscar informações durante entrevistas e coberturas. Um episódio lembrado em registros sobre sua carreira ocorreu durante o governo de João Figueiredo, quando uma pergunta feita por Sônia levou o então presidente a se manifestar publicamente sobre a realização de prévias no PDS, em meio às articulações para a sucessão presidencial. A relação construída com diferentes fontes também marcou sua passagem pelo jornalismo político de Brasília. O reconhecimento profissional veio em 1992, quando recebeu o Prêmio Imprensa Estrangeira, concedido pela Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil. Em 2013, Sônia também foi homenageada pela Câmara dos Deputados com a Medalha Assembleia Nacional Constituinte, criada por ocasião dos 25 anos da Constituição.

Depois de deixar o Jornal do Brasil, Sônia iniciou uma nova etapa profissional ligada à comunicação institucional. Ao longo dos anos, trabalhou em diferentes órgãos e instituições, incluindo o Ministério do Trabalho, a representação do governo da Bahia em Brasília e o Ministério da Defesa. Nos últimos anos, integrou a equipe do senador Jaques Wagner, mantendo contato com a rotina política da capital federal. A experiência acumulada durante décadas nas redações continuou fazendo parte de sua atividade profissional, agora em uma função diferente daquela exercida durante os anos em que esteve diariamente nos corredores do Congresso. A morte da jornalista motivou manifestações de colegas e autoridades, que lembraram sua contribuição para a cobertura política e sua presença em importantes períodos da história brasileira.

A despedida de Sônia Carneiro encerra uma trajetória profissional que atravessou diferentes fases do jornalismo brasileiro e acompanhou transformações importantes na política nacional. Durante mais de 50 anos, ela esteve próxima de acontecimentos que marcaram a redemocratização, a elaboração da Constituição de 1988 e as mudanças ocorridas no cenário político do país. Para além dos cargos e das funções que ocupou, sua carreira ficou registrada em reportagens, entrevistas e depoimentos que ajudam a preservar a memória de períodos importantes da história recente. O velório está previsto para esta terça-feira (22), em Brasília, conforme informações divulgadas pelo Correio Braziliense. Sônia deixa familiares, colegas e uma trajetória que permanece como parte da história do jornalismo político brasileiro.