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Morre, aos 71 anos, Álvaro Henrique Braga, irmão da menina que… Ver mais

A morte de Álvaro Henrique Braga, irmão de Ana Lídia Braga, trouxe novamente à memória um dos casos mais conhecidos da história de Brasília. Ele morreu no Rio de Janeiro, aos 70 anos, em 25 de novembro de 2025, mas a informação somente se tornou pública em setembro de 2026. O registro do óbito foi confirmado por documentação oficial. Álvaro tinha 18 anos quando a irmã, então com apenas 7, desapareceu em setembro de 1973. Mais de cinco décadas depois, a história volta ao noticiário justamente pela morte de uma das pessoas que esteve no centro das investigações daquele período. O caso Ana Lídia permaneceu sem uma conclusão definitiva sobre a autoria, tornando-se uma referência entre os episódios históricos ainda lembrados no Distrito Federal.

Ana Lídia desapareceu na tarde de 11 de setembro de 1973, depois de ser deixada pela família em uma escola localizada na Asa Norte, em Brasília. A menina frequentava o Colégio Madre Carmen Sallés e tinha aulas de reforço no período da tarde. Segundo relatos registrados na época, ela foi vista deixando a escola acompanhada por um homem. As buscas começaram depois que a família percebeu que a criança não havia participado da aula. No dia seguinte, Ana Lídia foi localizada nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB). A notícia teve grande repercussão em uma capital que ainda era relativamente jovem e passou a ocupar espaço de destaque na imprensa nacional. O episódio também atravessou diferentes momentos da história política brasileira, já que ocorreu durante o período da ditadura militar.

Álvaro Henrique Braga passou a ser investigado pelas autoridades ainda jovem. A polícia levantou a hipótese de que ele poderia ter participado do desaparecimento da irmã, enquanto a família sustentava que ele não tinha envolvimento com o caso. Ele permaneceu preso durante parte das investigações e chegou a ser submetido a julgamento. A situação teve uma reviravolta importante quando Álvaro foi absolvido por falta de provas. A decisão também alcançou Raimundo Lacerda Duque, outro homem investigado no processo. Ao longo dos anos, Álvaro manteve a versão de que não tinha relação com o desaparecimento da irmã. Após o encerramento do processo, deixou Brasília com a família e iniciou uma nova etapa de sua vida no Rio de Janeiro.

Longe dos holofotes, Álvaro construiu uma carreira na área da medicina. Formou-se e posteriormente se especializou em angiologia e cirurgia vascular, passando a trabalhar no Rio de Janeiro a partir da década de 1980. Ao contrário do período em que seu nome esteve diretamente ligado às investigações sobre a morte da irmã, ele manteve uma postura reservada durante a vida adulta. Pessoas próximas e registros publicados ao longo dos anos apontam que o médico evitava entrevistas e raramente comentava publicamente os acontecimentos de 1973. Mesmo assim, o episódio permaneceu como uma marca importante de sua trajetória. A família também continuou sustentando a posição de que Álvaro não tinha participação no caso e que a investigação nunca conseguiu esclarecer completamente o que aconteceu com Ana Lídia.

Com o passar das décadas, novas tentativas de esclarecer o caso chegaram a ser realizadas. O processo foi reaberto em 1985 depois do surgimento de novas informações, mas a apuração não resultou em uma conclusão diferente. Em 1993, o prazo legal para responsabilização pelo crime chegou ao fim, encerrando a possibilidade de punição criminal pelo caso. Raimundo Lacerda Duque, que havia sido julgado e absolvido junto com Álvaro, morreu em 2005. A mãe de Ana Lídia também morreu naquele mesmo ano, enquanto o pai da menina faleceu em 2011. Com a morte de Álvaro, desaparece mais uma das figuras diretamente relacionadas à história judicial do caso, que permanece sem uma resposta definitiva sobre quem foi responsável pela morte da criança.

A morte de Álvaro Henrique Braga, portanto, representa mais do que a notícia sobre o falecimento de um médico de 70 anos. Ela encerra um capítulo pessoal e judicial de uma história que atravessou gerações e continua presente na memória de Brasília. Ana Lídia tinha apenas 7 anos quando desapareceu, e as circunstâncias de sua morte jamais foram esclarecidas de forma definitiva pela Justiça. Álvaro, que chegou a ser apontado como suspeito, foi absolvido por falta de provas e passou o restante da vida defendendo sua inocência. Agora, mais de 53 anos depois do desaparecimento da menina, o caso volta a despertar interesse justamente porque parte dos personagens ligados à investigação já não está mais viva. O episódio permanece registrado na história do Distrito Federal como um caso sem conclusão definitiva e que ainda levanta perguntas sobre as investigações realizadas naquela época.